Economia

Carnaval aquece a economia no Ceará, fortalece o turismo e gera renda

De acordo com a Secretaria de Turismo do Ceará, o Estado deverá receber 143 mil turistas durante o feriado momino, gerando renda de R$ 479 milhões. Além do turismo, o período fortalece a economia para pequenos e micro empreendedores, que aproveitam a data para a venda de fantasias, acessórios e artigos carnavalescos

Heloísa Vasconcelos 

heloisavasconcelos@ootimista.com.br

Foto: Edimar Soares

O Carnaval deste ano deve trazer ganhos para a economia cearense de forma ainda mais expressiva que em 2019. Segundo a Secretaria de Turismo do Ceará, o feriado prolongado deve gerar renda de R$ 479,8 milhões ao Estado, que irá receber 143 mil turistas durante o período. O número de visitantes é 8,8% maior que o registrado no ano passado. Já a renda gerada neste ano é 12% maior que a do feriado em 2019. “Muitos turistas procuram o Ceará para descansar, mas também para aproveitar a festa em Fortaleza e nas principais praias do Estado. Nosso índice de ocupação está excelente”, aponta o secretário do Turismo do Ceará, Arialdo Pinho.

A ocupação hoteleira, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Ceará (ABIH), é de 85%, 10 pontos percentuais acima do índice do ano passado. Segundo a Setur, em Fortaleza, a média de ocupação dos hotéis está em 92%, nos flats, 88%, nos albergues, 79%, e nas pousadas 78%. Ainda de acordo com a Secretaria, nas praias do Estado, a média de ocupação hoteleira está em 91,4%. O maior índice é em Guaramiranga (99%), seguido por Jericoacoara (97,5%), Canoa Quebrada (96,7%), Cumbuco (95%), Porto das Dunas/Prainha (95%), Praia das Fontes/Morro Branco (85%), Camocim (81%) e Trairi (80%). A rodoviária deve ter movimentação de 90 mil passageiros, 41% maior que em 2019.

O Aeroporto de Fortaleza deve receber 19 voos extras (pousos e decolagens) até o dia 26 de fevereiro, de acordo com a Fraport. Os destinos/origens são: Belém, Rio de Janeiro, Guarulhos, Recife, Campinas, Confins e Natal.

Fortaleza

Para o titular da Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), Alexandre Pereira, a cidade se tornou destino tanto para os que querem calmaria durante a festa, como para os que querem curtir a folia. “Alguns anos atrás o Carnaval de Fortaleza era um canto de descanso porque tradicionalmente não tinha Carnaval, era exclusivamente para quem queria tranquilidade. Acabou que o sucesso do pré-Carnaval deu condições de fazermos uma festa de Carnaval mais ampla. A cidade fica calma para quem quer curtir uma coisa mais tranquila, mas também tem vários locais acontecendo eventos de carnaval”, destaca.

O secretário considera que Fortaleza tem atraído um turista diferenciado nesse período. “Não queremos transformar Fortaleza em Recife ou Salvador. O objetivo é ter eventos de Carnaval na cidade e não perder o charme da cidade de praia, sol e mar”, aponta. Segundo ele, a Prefeitura não tem dados sobre números e características dos turistas que vêm à cidade para o feriado, sendo essas informações divulgadas apenas posteriormente com pesquisa do Observatório de Turismo.

Ele considera que Fortaleza deve crescer mais como destino ao longo dos anos. Isso se dá devido a ações conjuntas da Prefeitura e do Estado ao promover o turismo. “A meta é consolidar cada vez mais Fortaleza como a cidade dos grandes eventos e envolver a população do local”, planeja.

Conforme o presidente da ABIH, Eliseu Barros, o otimismo para o período é devido aos pacotes turísticos fechados com antecedência. Ele comemora que movimento é bom não apenas para a hotelaria, mas traz impacto positivo para todo o segmento de bens e serviços. “As duas datas mais procuradas são Réveillon e Fortal. O melhor mês do ano é janeiro e o segundo melhor mês é julho. Dos feriados, as duas datas melhores é Carnaval e Semana Santa”, elenca.

Ele considera que resultados positivos têm muito a ver com ações da ABIH e secretarias de turismo, promovendo o destino em feiras de turismo e congressos. Segundo ele, muitos turistas que vêm para Fortaleza na época carnavalesca são turistas nacionais, sobretudo do Sudeste, havendo também predominância de turismo regional, em que as pessoas viajam de carro de áreas próximas.

 

Fecomércio estima que Carnaval movimente em torno de R$ 1 bilhão

A expectativa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Ceará (Fecomércio) é que R$ 1 bilhão seja movimentado no Carnaval e 13,3 mil pessoas devem ser empregadas temporariamente, número 8,9 mil maior que o esperado em 2019. Segundo a diretora institucional da Fecomércio, Cláudia Brilhante, as vendas devem aumentar, já que variação média dos insumos de Carnaval, como fantasias e acessórios, atingiu neste ano a marca de 4,4%, o menor patamar desde 2007. “A economia de forma geral começou a apresentar sinais de aquecimento, melhora. Além disso os insumos utilizados no carnaval tiveram uma variação média de 4,4% nos últimos anos. Isso ajuda com a inflação baixa que as pessoas possam ter condições melhores para compra”, pontua Cláudia. O aquecimento foi percebido desde as semanas antes do Carnaval, segundo ela, tanto em produtos típicos como em vestuário como shorts e rasteiras.

Ela destaca que data é importante tanto para a economia formal de comércio como para ambulantes, que aproveitam a oportunidade para vender alimentos, bebidas e acessórios. “É um grande feriado que é esperado pelo comércio o ano todo. É impressionante, chegou o Carnaval as pessoas vão pegar as economias, vão trabalhar para poder se divertir”, percebe.

O diretor do Centro Fashion, André Pontes, estima que entre 30 e 40 mil pessoas circulem no local até o sábado. Apesar de não ter dados de faturamento dos expositores, ele calcula que haja um aumento de 20% em relação ao ano passado. “Por se tratar de um centro de atacado, as compras do Carnaval já começaram em janeiro. Agora a gente já percebe um movimento mais do varejo.

Ele afirma que movimento no Centro Fashion tem crescido ano a ano desde seu lançamento, há três anos. “A gente vê que a economia está se recuperando, as pessoas estão começando a ter uma confiança e gastar mais. A tendência a gente acredita que cada ano que passe vá se consolidando cada vez mais o Centro Fashion”, diz. Segundo ele, o Carnaval é uma das datas mais importantes para faturamento dos vendedores no ano.

 

Abrasel considera que impacto da festa é negativo para o movimento

Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), as festas em Fortaleza no período de Carnaval trazem um impacto negativo para o segmento. O presidente da Abrasel, Rodolphe Trindade, critica que muitos bares e restaurantes ficam impossibilitados de abrir devido ao movimento festivo nas ruas. “O impacto do pré-Carnaval para bares e restaurantes é nulo, e muitas vezes é até pior do que nulo, é negativo porque tem muita gente que fecha porque não tem menor condição de abrir com o que acontece na rua”, aponta. Ele diz que comércio é bom para ambulantes, mas que esse é um momento ruim para o setor.

Ele prevê que o crescimento do setor neste período será baixo, assim como foi no ano passado, cerca de 1% ou 2%. “Para o setor de turismo não acrescenta nada porque o turista vem para Fortaleza para descansar, o turista que quer curtir o carnaval pelo Brasil afora vai para Salvador, Recife ou Olinda. Fortaleza não tem essa tradição e não chama o turista”, opina.

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