Economia

Setor de construção civil pede a Camilo Santana o retorno de atividades

Em documento endereçado ao governador, empresas argumentam que mais de 50.000 trabalhadores dependem dos empregos e que crise no setor traria abalo à economia

(Foto: Agência Brasil)

Heloisa Vasconcelos

heloisavasconcelos@ootimista.com.br

Paradas desde a semana passada devido aos Decretos Estaduais nº 33.523, 33.519 e 33.510, assinados pelo governador Camilo Santana para contenção da pandemia do Covid-19, empresas do ramo de construção civil pedem volta das atividades. Ofício assinado na última quarta-feira, 25, pelo Sindicato da Indústria e da Construção Civil (Sinduscon-CE), pela Cooperativa da Construção Civil do Estado do Ceará (Coopercon-CE) e outras entidades do setor traz como argumento central a importância da construção civil para a economia devido ao seu potencial de geração de empregos.

O presidente do Sinduson, Patriolino Dias de Sousa, destaca que os trabalhadores acima de 60 anos e que se encontram em algum grupo de risco continuarão em casa. Ele afirma que, na medida do possível, funcionários dos escritórios trabalharão em regime de home office e que haverá termômetros para aferir a temperatura das pessoas antes de entrarem nas obras, a fim de garantir que não trabalhem doentes. 

Ele conta que já está sendo preparada uma cartilha de cuidados e material multimídia para distribuir nas empresas e divulgar as ações de higiene e cuidado para evitar a transmissão do vírus. “A primeira preocupação da gente é garantir a saúde de todos. Mas a gente acredita também que essas pessoas [trabalhadores da indústria civil] não estão em casa, elas estão fazendo bicos, já que precisam do dinheiro. Nos canteiros da gente a gente consegue ter um controle melhor dos funcionários”, diz.

No documento, empresas argumentam que a paralisação das atividades pode comprometer a saúde de todas as empresas do setor e/ou demissões em massa. Elas também colocam que crise no setor pode se dar de forma “rápida e assoladora”. Conforme ofício, mais de 50.000 trabalhadores dependem dos empregos na construção civil. “O alto nível de encadeamento com outros setores torna a atividade fundamental para o desenvolvimento econômico do país. Uma crise no setor vai causar um abalo na economia e diversos desempregos”, coloca.

Eles percebem que o setor voltando de forma gradativa poderá acompanhar as recomendações da OMS e trabalhar tomando as medidas necessárias para prevenção, conscientização e proteção dos trabalhadores. Explicam, ainda, que o setor de obras não é um local de trabalho propício a aglomerações.

“Cite-se que a suspensão das atividades do setor implica na ociosidade dos trabalhadores e deixá-los em suas residências – que em sua maioria são pequenos cômodos com número demasiado de pessoas e familiares – seria um risco maior. Os canteiros, com os cuidados adicionais que as empresas passarão a adotar serão mais saudáveis ao próprio trabalhador, validados pelas autoridades de saúde”, consideram.

As empresas aproveitam para pedir a liberação de atividades correlatas ao setor, como empresas terceirizadas que fornecem alimentação aos trabalhadores, concreteiras e empresas que comercializam material de construção, além do transporte coletivo metropolitano. 

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