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Entrevista com Jorge Pinheiro: A operação de guerra do Hapvida contra a covid-19

Maior operadora de planos de saúde do Brasil, o Hapvida se preparou: arrendou hotéis, adquiriu equipamentos, fez estoque de leitos, reforçou o time e montou uma operação de logística aérea para levar tudo de um canto a outro do País conforme o avanço do novo coronavírus. Quem explica é o médico Jorge Pinheiro, presidente da empresa, em entrevista exclusiva ao O Otimista

Nathália Bernardo
nathalia@ootimista.com.br

Modelo verticalizado e tamanho são aliados do Sistema Hapvida na luta contra o novo coronavírus. Maior operadora de planos de saúde do País, com cerca de 3,5 milhões de beneficiários, além de 2,6 clientes odonto, a empresa montou uma operação de guerra: arrendou hotéis, adquiriu novos leitos, fez estoque de equipamentos de proteção individual e desenvolveu uma logística aérea para levá-los, assim como aos profissionais, de um canto a outro do País conforme a necessidade. 

Jorge Pinheiro, presidente do Sistema Hapvida, cita ainda o departamento de engenharia e arquitetura clínica, que permite rápida adequação do espaço físico de seus 40 hospitais próprios; o comitê técnico, com médicos de diversas especialidades e nacionalidades, que implanta protocolos para toda a rede, e a base de dados única, com a qual o resultado do trabalho é acompanhado. 

Foi isso que permitiu, por exemplo, a adoção e distribuição gratuita de hidroxicloroquina para os beneficiários com suspeita ou confirmação de covid-19. “A gente tem tido resultados espetaculares, muitas altas”, celebra o presidente, ele mesmo um caso de cura da doença. Conforme o boletim epidemiológico diário – e público – da empresa, até ontem, já foram tratados 5.717 pacientes confirmados. Os suspeitos somam 13.836, com 319 óbitos. 

A preparação, que ultrapassa os R$ 65 milhões em investimento, começou antes de a doença ser confirmada no Brasil. Com base no cenário italiano, a empresa se preparou para o pior cenário. Mas ele, pelo menos por enquanto, não chegou. “A mortalidade na Europa é 11 vezes maior do que no Brasil”, afirma. O gestor prevê duas possíveis rotas para o País: o avanço da doença por todos os estados, mas em ritmos diferentes, ou a contenção. Em qualquer um deles, acredita, Fortaleza chegou ou está próxima ao pico. 

Já as perspectivas para a retomada econômica brasileira são para a partir do terceiro trimestre, quando a empresa pretende retomar as aquisições. Por enquanto, os investimentos seguem concentrados na expansão da rede própria, para a qual são projetados R$ 400 milhões em 2020. Confira a entrevista exclusiva de Jorge Pinheiro ao O Otimista. 

O Otimista – O Hapvida começou a distribuir gratuitamente hidroxicloroquina entre os seus pacientes com covid-19. Por que essa decisão?
Jorge Pinheiro – Parte tudo de uma comissão técnica que nós montamos internamente, com infectologistas, clínicos gerais e imunologistas, que em parceria com médicos de vários países, que passaram por experiência similar a nossa, têm desenvolvido protocolos que se mostram muito eficientes. Falo de uso de corticóide em doentes internados, de anticoagulantes em doentes em regime de hospitalização e, por fim, falo da hidroxicloroquina. Essa droga, quando é utilizada precocemente, a impressão clínica dos nossos médico é de que reduz significativamente a gravidade dos casos. Temos prescrito essa droga há algumas semanas ou meses. Acontece que, dada a uma procura grande nas redes de farmácias, esse abastecimento tem sido irregular e muitos usuários, apesar de estarem com a prescrição na mão, não têm conseguido comprar a droga, frustrando o tratamento. Então, em parceria com a Fundação Ana Lima, que é o braço social do Sistema, viabilizamos até agora tratamento inteiramente gratuito para 20 mil pessoas. Além disso, estamos tentando aumentar essa quantidade para que a gente possa fornecer para 100% dos pacientes pelas próximas semanas. É simples o processo, é necessária que o usuário tenha um receita realizada em alguma das nossas unidades próprias – urgência, ambulatórios ou videoconsulta – e, de posse dela, procurar os hospitais para receber.

O Otimista – Essa droga também é usada no tratamento de outras doenças. Esses 20 mil pacientes que a receberam do Hapvida tiveram o novo coronavírus?
Jorge – A droga é utilizada há muitos anos no Brasil no combate à malária e algumas situações de pacientes com doença autoimune, mas o volume é significativamente menor. Algo próximo 100% dessa droga vai ser destinada a usuários, não só testados positivos, mas também suspeitos da doença. 

O Otimista – Qual papel dessa comissão técnica, como ela trabalha?
Jorge – A gente tem um comitê técnico, com especialistas. Esse comitê tem conversado diariamente, trocado experiência com outros centros do Brasil e do Mundo.  A nossa ideia é estar extremamente antenados com todas as possibilidade terapêuticas. É uma doença nova, várias informações que tivermos no início, antes da chegada ao Brasil, já foram desfeitas. Por exemplo, o uso de corticóide, era tido como desnecessário e prejudicial a todos os usuários, mas é consenso que ele deve ser utilizado na fase inflamatória da doença, que reduz muito a resposta imunológica, reduzindo muito a gravidade da doença. Assim como outras premissas que há algumas semanas, poucas semanas incrivelmente, eram tidas como verdades absolutas, como que a doença não atinge adultos jovens e, hoje, a gente vê que ela infelizmente acomete jovens e depende muito mais da resposta imunológica do paciente. Logicamente um jovem tem muito mais condição de se recuperar. Mas, infelizmente, nós já vimos usuários jovens, com acometimentos graves dessa doença. A gente vem aprendendo diariamente com essa doença e a comissão técnica tem sido fundamental para que a gente esteja muito atualizado, inovando, à frente sempre, para garantir o melhor para o nosso usuário. A gente tem tido resultados espetaculares, muitas altas, como hoje, por exemplo, a gente comemorou em Maceió quatro altas no mesmo momento. 

O Otimista – A gente tem acompanhado a luta dos sistemas de saúde, publico e privado, para dar conta da demanda trazida pela pandemia. O Hapvida chegou a arrendar hotéis como forma de se preparar para essa demanda excepcional. Qual a situação de oferta e demanda do Hapvida hoje?
Jorge – A empresa fez um investimento muito forte no sentido de garantir espaço físico, assistência ao nosso usuário do ponto de vista de leito inclusive. A nossa rede própria, que compõe quase 40 hospitais, que um deles vai ser inagurado nos próximos dias, é extremamente elástica, a gente pode fazer acréscimo de leitos de maneira muito dinâmica. Um estudo recentemente feito mostrou que a gente pode aumentar 1.500 leitos em todo o Brasil, falando só de terapia intensiva mais de 250 leitos podem ser criados. Nós montamos uma rede logística, usando aeronaves e centralizamos em algumas regionais leitos de terapia intensiva, com respiradores, bomba de infusão, monitores, que são equipamentos necessários. Na medida em que alguma cidade tem uma evolução mais rápida da doença, a gente prontamente já leva todo o equipamento necessário para a criação de leitos de UTI. Dessa mesma maneira, a gente tem feito com profissionais, médicos, enfermeiros. A gente tem levado de cidades que ainda não têm quantidade grande de casos para outras cidades, como foi o caso de Manaus, de Belém, São Luís. A gente mandou profissionais para lá para que a gente mantenha os nossos indicadores de atendimento nas emergências – a gente consegue atender mais de 80% dos usuários em menos de 15 minutos, é um número fantástico. Até agora, nós não tivemos em todo o Brasil, somos a maior operadora brasileira, com 3 milhões e meio de planos médicos, fora odontologia, um caso só de paciente que ficou esperando leito e não conseguiu. Posso afirmar que continuaremos assim porque nós temos reserva de leitos em todas as grandes cidades. Aqui em Fortaleza, por exemplo, nós temos possibilidade de aumentar leitos nos nossos hospitais Luís França, Eugênia Pinheiro, Ana Lima, Antonio Prudente, em que acabamos de aumentar leitos de UTI, no Hospital Aldeota. Então temos uma rede de hospitais em Fortaleza e várias outras cidades, temos a possibilidade de fazer uma expansão rápida, já temos todos os equipamento para isso. Então estamos confortáveis para atender a demanda que vier, atendendo a qualquer previsão que a gente faça. 

O Otimista – O modelo verticalizado do Hapvida tem sido, portanto, uma vantagem contra a covid-19?
Jorge – Muito, muito porque tendo essa rede própria ampla, dinâmica, nós temos várias possibilidades logísticas, várias possibilidades de envio de médicos e profissionais especializados para as cidades em que forem necessários. Pela possibilidade de nós termos o departamento de arquitetura e engenharia clínica também dentro de casa, a gente consegue mobilizar rapidamente as unidades. Um sistema único que roda todas as nossas unidades permite que a gente implemente melhores protocolos assistenciais em tempo real. No momento em que o dr. Marcelo, responsável pelo protocolo, implanta um novo no nosso sistema isso aparece na tela de todos os médicos no Brasil, os colegas precisam só seguir o protocolo que está sugerido pelo nosso comitê, acompanhando as melhores práticas. Nós temos informações e volume para avaliar o desfecho de todo atendimento, é muito difícil para uma operadora que não tenha controle de toda a sua rede própria entender o desfecho de cada paciente, a conduta que foi usada em cada situação, temos toda essa informação dentro de casa, é uma riqueza enorme, de acordo com o sucesso de cada terapêutica, a gente consegue reproduzir em massa e em velocidade.

O Otimista – Outra batalha grande em todo o mundo é para conseguir insumos de saúde. O Hapvida também esbarrou nessa dificuldade?
Jorge –  Travamos uma batalha enorme na área de suprimentos, essa foi a nossa preocupação inicial: garantir a nossos profissionais todos os EPIs necessários. A gente já previa que se os profissionais não tivessem a melhor condição protetiva, não iriam trabalhar e com toda a razão. A gente adquiriu insumos do mundo todo, desenvolvemos novos fornecedores para máscara cirúrgica, máscara n95, face shield, aventais específicos e a gente conseguiu fazer um estoque para longo prazo. Claro que tivemos que pagar sobrepreço, pagamos mais caro, houve supervalorização desses itens em 200%, 300%, mas a gente tomou essa decisão corajosa e necessária de fazer estocagem para várias semanas e temos uma posição extremamente confortável. A gente sabe que o Brasil e o mundo sofrem com falta de EPIs. A mesma batalha a gente travou para adquirir novos leitos de UTIs. Vários pedidos que fizemos lá atrás da China não formam confirmados, porém conseguimos outras fontes de equipamentos e, hoje, temos dentro de casa mais de 200 leitos de UTIs prontos, parados, que podem ser mobilizado para qualquer cidade do Brasil, mostrando que a gente está bem seguro do ponto de vista assistencial, de infraestrutura, de leito. Por fim, a última batalha que a gente vinha travando e essa é uma luta diária foi com relação a hidroxicloroquina. A gente prescrevia e nossos pacientes não conseguiam adquirir em função da irregularidade nas farmácias, então resolvemos fazer essa compra direto da indústria, fizemos codificação dos pacientes e fizemos a doação para que o tratamento fosse plenamente efetuado. 

O Otimista – Quando o Hapvida começou a se preparar para a pandemia?
Jorge –  Somos uma empresa da área da saúde, quando a gente começou a observar os acontecimentos na China, havia preocupação inicial, mas o alerta vermelho foi quando o vírus saiu da China. Quando ele chegou com força total na Europa, a gente sabia que a possibilidade de se transformar em uma pandemia de verdade era muito alta. Foi aí que a gente começou a fazer planejamento. O primeiro planejamento que nós fizemos foi com base na experiência italiana, verificamos tudo que ocorreu lá, os índices de infecção, de letalidade, de mortalidade, a gente verificou esses dados epidemiológicos e já começamos a fazer o nosso planejamento. Em função disso, de termos feito um planejamento com base na história da Itália, é que a gente resolver alugar hotéis em várias cidades – Fortaleza, Manaus, Recife, Salvador. A gente achava que poderia acontecer (no Brasil) o que aconteceu na Italia. Graças a Deus, os números dessa pandemia no Brasil são muito menores que a experiência europeia – falando do conjunto de Itália, França, Alemanha – e muito menores que a experiência americana. A mortalidade na Europa chega a ser 11 vezes maior do que no Brasil. Se a gente comparar a experiência americana com a brasileira ela é cinco vezes maior. Então apesar de nos preocuparmos bastante e acompanhamos todo dia a evolução dessa doença no Brasil, pelo menos até agora, comparando critérios iguais, a intensidade dessa pandemia no Brasil é muito menor que em países europeus e nos Estados Unidos.

O Otimista – O Hapvida já descartou o uso dos hotéis? Eles serão devolvidos?
Jorge – Não precisamos usar nenhum dos hotéis, eles estão em reserva técnica e, hoje, eu tenho segurança de dizer que nós não utilizaremos hotéis. Seria uma operação muito complexa, mas necessária se acontecesse no Brasil o que aconteceu na Itália. Mas não vamos utilizar, é muito provável que isso aconteça, porque a nossa rede própria vai ser capaz de atender com qualidade. A gente está avaliando internamente, é possível que a gente não confirme a renovação (da locação dos hotéis), mas essa decisão não esta tomada ainda.

O Otimista – Vocês ja investiram 65 milhões no combate ao coronavírus. O valor deve se estabilizar em torno dessa cifra?
Jorge – Hoje mesmo o (investimento) aumentou um pouco mais, a gente preparou um estímulo, uma bonificação para o alto rendimento de algumas equipes para que a gente garanta um melhor assistência em cidades onde o enfrentamento esteja sendo exaustivo, é justo que a gente trabalhe com algum tipo de premiação. É bem verdade que os principais gastos já foram realizados, leitos, ampliação da rede, mas outros gastos são perenes. Por exemplo, tivemos que trazer médicos de fora, gastos de novas unidades de terapia intensiva. Esses são gastos que perdurarão enquanto tivermos número elevado de doentes com covid nas nossas unidades. Outros gastos foram investimentos. As operacionais devem ser mantidas enquanto tivermos volume elevado de pacientes.

O Otimista – Você falou de cidades onde o enfrentamento está exaustivo. Fortaleza é uma delas?
Jorge – Fortaleza sim. Fortaleza, depois do eixo Rio-São Paulo, foi a que primeiro apresentou volume significativo de casos. Depois daqui, foi para Manuas, que seria a quarta capital em que a doença atingiu com muita força e atingiu com uma intensidade maior que em Fortaleza. Em Manaus os índices foram mais significativos. Depois foi para São Luís, que está estável no momento. Belém ainda tem curva de alta. Foram essas as principais experiências no Brasil. 

O Otimista – Depois do SUS, o Hapvida, como maior operadora do Brasil, tem a maior base de dados de pacientes do País. Para quando vocês esperam o arrefecimento da pandemia?Jorge – Verdade que a gente tem uma base de dados significativa, mas nada como o Ministério da Saúde, que é detentor de todas as informações para ter uma base de dados para acertar mais, melhor previsibilidade. A nossa impressão é que a gente está muito próximo ou já chegou ao pico da pandemia em algumas cidades, como Fortaleza, Manaus, principalmente. Belém talvez ainda possa crescer um pouco mais, mas tem algumas variáveis, não sabemos efeitos do isolamento, se ele realmente vai ser só retardatário ou se vai evitar infecções essa é uma variável. A outra variável são as cidades que ainda não foram atingidas pela pandemia que a gente roga que não venha a acontecer. Graças a Deus, várias cidades brasileiras têm incidência muito tímida da doença. Falo aqui de Aracaju, Natal, em que já tivemos alguns casos no inicio, mas depois reduziram, falo do sul do País. Ou seja, várias regiões ainda não tiveram experiência significativa. Precisamos saber se essa pandemia virá em onda, atingindo todos os estados ou se ela vai se limitar a alguns estados. Se ela se alastrar por todos os estados, o que a gente vai observar são estados em momentos diferentes. A gente vai ver o Ceará saindo, Amazonas saindo, porque a população se imunizou, e vai ver estados estreando, o que pode levar a um tempo mais longo da pandemia no Brasil. Mas são só teorias, ainda é muito desconhecido, vamos ter que observar para ver qual dessas teses vai prevalecer.

O Otimista – Qual a sua avaliação do isolamento social?
Jorge – Eu não tenho dados para avaliar política pública, como eu te falei a gente só pode avaliar os dados da população Hapvida, é muito difícil fazer uma análise isolada de cada cidade, em que houve isolamento ou menos isolamento. A gente tem certeza que as secretarias da saúde, o Ministério da Saúde têm muito mais elementos, muito mais informação para verificar a efetividade de pratica como o isolamento. 

O Otimista – Vocês tinham planos de investir R$ 400 milhões neste ano. Houve alguma adaptação por causa da pandemia?
Jorge – Na verdade, do ponto de vista de investimento de uma maneira geral, nós vamos suspender qualquer atividade de aquisição. Tínhamos vários projetos de aquisição de empresas no nosso pipeline. Eles foram temporariamente suspensos e vão voltar com o arrefecimento da doença. Imagino que seja a partir do terceiro trimestre. Com relação a investimento em expansão da rede própria, equipamentos para a rede própria, em regiões em que a gente já atua, a construção de novos hospitais, clínicas, ambulatórios, unidades de pronto atendimento, isso a gente manteve de maneira integral. Esse  investimento que você mencionou engloba a construção de vários hospitais e esse plano está mantido e em curso. Construção na nossa atividade e segmento tem sido permitido por todos os governos onde a gente atua e esse plano de expansão está rigorosamente mantido. Temos hospitais novos em Recife, Maceió, São Paulo, Centro-oeste, Norte. Temos hospitais por pelo menos quatro regiões brasileiras que serão construídos dentro desse orçamento.

O Otimista – O BTG fez uma análise positiva do Hapvida na pandemia, só deixou como ressalva que a operadora é muito exposta ao segmento individual e ao de empresas de pequeno e médio porte. Que impactos essa pandemia pode trazer, em termos financeiro, à empresa? E como você vê a economia depois da crise?
Jorge – Graças a Deus, a empresa é extremamente conservadora. Do ponto de vista de liquidez, a gente tinha acabado de fazer uma emissão de debêntures no ano passado e o Hapvida tem um caixa robusto, construído para que a gente fizesse frente a um plano de consolidação, fazendo aquisições no País todo. Então não há preocupação nenhuma do ponto de vista de liquidez, na verdade talvez a gente seja a operadora com a maior solidez do País, com endividamento baixíssimo, a gente está muito confortável. Com relação à economia em geral, a gente espera que haja uma recuperação a partir do terceiro trimestre e operação plena a partir do quarto. Essa é a nossa expectativa. A gente tem sido criativo, a gente criou produtos diferentes para usuários de planos corporativos. Mais de 70% dos nossos clientes são empresas, os outros vinte e tanto por centro são planos individuais, então a gente tem sido muito parceiros dos nossos clientes.Fizemos postergação de cobrança de reajustes durante o período da pandemia, não estamos cobrando reajustes, serão cobrados mais à frente, ajudando nosso cliente parceiro. E, como te falei a gente desenvolveu produtos mais baratos, específicos para que passe essa pandemia, a gente conseguiu reduzir em 30% o valor de planos corporativos, que podem ser utilizados em algumas situações especiais, então mesmo sabendo que a gente tem sido, talvez, o ente nessa cadeia de prestação de serviços o mais afetado pela pandemia, é hora de a gente chegar junto, trabalhar, atender todo mundo que precisa. São muitos os gastos e investimentos, mesmo sabendo disso a empresa entende que é preciso construir parceria para que a gente passe por essa situação juntos da maneira mais fortalecida possível.

O Otimista – Que mudanças a pandemia trouxe para a empresa e que devem perdurar?
Jorge – A gente tem desenvolvido novas maneiras de trabalhar, de se relacionar, de vender produtos, de prestar assistência médica. Tudo isso tem sido um acelerador enorme. Apesar de todo esse drama que a gente tem vivido, tenho certeza absoluta que nossa empresa vai sair fortalecida porque vai sair mais digital, mais inteligente, e, apesar da distancia física, mais próxima do cliente em função de novas ferramentas. Vou dar um exemplo, a telemedicina focada na covid. Nós abrimos dois canais de atenção ao usuário, um deles é a vídeoconsulta, em que nosso usuário fala diretamente com o médico 24hs por dia. Nesse canal, a gente está fazendo mais de mil consultas por dia. Além dele temos a teleconsulta, que é o mesmo procedimento, só que via telefone, mais de mil consultas/dia. Além disso, consultas com psicólogos e nutricionistas têm sido disponibilizadas aos nossos usuários, apesar de em muitas situações o usuário não poder ir ao hospital, por motivos óbvios, em casos leves, a gente está indo até a casa do usuário para dar a melhor informação possível. Passamos a prescrição, solicitação de exame a distancia, de maneira muito moderna, tentando atender os anseios da nossa população. Assim como venda. Desenvolvemos uma plataforma de venda digital, que o usuário não precisa falar com o vendedor, até para o vendedor não precisar sair de casa nesse momento e muita gente está querendo comprar o plano, então a gente desenvolveu uma plataforma digital de venda. Várias alternativas digitais a gente tem implementado durante esse período. A gente via sair, com fé, com força, muito mais produtivos, muito mais digitais, e vamos em frente, vai dar certo. Estou bem otimista, apesar de todas as dificuldades. 

O Otimista – Que mensagem você tem a deixar aos beneficiários do Hapvida e à população em geral nesse momento?
Jorge – É uma mensagem de muito otimismo. Eu já enfrentei a doença, graças a Deus, com sintomas leves a moderado, consegui trabalhar todos os dias em regime de isolamento e, logo que saí, minha primeira vontade era vir aqui para a linha de frente. Tenho visitado nossas unidades, tenho visitado todos os nossos pacientes internados em UTI com covid. Então é uma mensagem de muita esperança e, com a certeza, de que aqui do nosso lado a gente tem garantido a melhor estrutura – e a luta tem sido grande – com as melhores condições de proteção, com os melhores produtos, os melhores protocolos e a melhor estrutura com a certeza de que isso já já vai passar. Vamos nos manter firmes.

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