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Ceará chega ao final de março com 33 açudes sangrando, aponta boletim técnico

Relatório diário da Cogerh mostra que, com relação ao começo do mês passado, aumento é de cerca de dez reservatórios. Órgão e Funceme, contudo, ponderam que aporte ainda não é o ideal e reforçam necessidade de que precipitações continuem a acontecer

Danielber Noronha
panorama@ootimista.com.br

(Henrique Villela / Cogerh)

De acordo com informações diárias do Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), 33 açudes do Ceará estão sangrando. Os números mostram que até ontem (31) os primeiros na lista de sangria eram os açudes de Itapebussu e Barragem do Batalhão, com volumes de 115,82% e 113,87%, respectivamente, da capacidade de armazenamento.

Diretor de operações do órgão, Bruno Rebouças destaca como positivas as constatações, mas aponta que os principais reservatórios que abastecem o Estado ainda precisam de muita chuva para adquirirem volume confortável de água. “Obviamente que ter açudes sangrando estimula nossos sertanejos e homens do campo, porém o mais importante é que as chuvas sejam bem distribuídas para que grandes reservatórios tenham uma boa acumulação”, pontua.

O gestor exemplifica o raciocínio fazendo uso do açude Germinal, primeiro a sangrar no Ceará. Enquanto nele a capacidade é de 2.107 hm³, o Castanhão, maior reservatório cearense, chega a 6.700.000 hm³. Este por sua vez, está apenas com 10,38% da capacidade total. “Para ficarmos numa situação mais confortável, a gente precisaria que ele voltasse a ter 30% da capacidade. Ele nunca deixou de manter a região do Vale do Jaguaribe, mas alguns setores, como irrigação e psicultura, acabaram prejudicados por conta do racionamento.”

Comparado com o primeiro dia deste ano, quando o volume do açude era apenas de 2,81%, o atual, contudo, é mais animador. Em março do ano passado, o volume marcado não chegava nem a 4%. “Ano passado, tivemos chuvas mais concentradas ao norte. Este ano, elas estão mais bem distribuídas pelo Estado e a gente precisa que continuem assim para que os grandes mananciais, de resiliência maior a grandes períodos de seca, possam ter maiores aportes.”

Cenário dos reservatórios
Além do Castanhão, o Óros, outro grande açude do Estado, também apresentou aumento no aporte: o segundo maior reservatório do Ceará está com 16,29% da capacidade, mais do que o triplo da quantidade marcada no início do mês passado. O Banabuiú cresceu apenas 1,3% no mesmo período, chegando agora à marca de 7,4%.

As chuvas mais bem distribuídas, como aponta Bruno, refletem diretamente no volume atual de água represado nos 155 açudes monitorados. “Por conta dessa distribuição melhor e pelo bom desempenho da quadra chuvosa, estamos com volume de 26,77%, enquanto que no mesmo período do ano passado tínhamos pouco mais de 14%.”

Ainda assim, para o diretor, os bons índices alcançados com a quadra chuvosa deste ano não dão conta de reparar os períodos de crise hídrica. “A gente vem numa crise muito longa, desde 2012, que culminou na crise dos nossos reservatórios. Para reverter uma crise de muitos anos em um só, esse teria que ser um ano totalmente atípico dos outros, com muita chuva”, ressalta.

Segundo a Cogerh, seis açudes estão com capacidade entre 90 e 99%, entre eles, o Araras e o Penedo, e 60 açudes, com volume abaixo dos 30%. Outros dez estão no volume morto, abaixo de 5% de sua capacidade. Trapiá II e Mons. Tabosa estão na lista. Cinco reservatórios estão completamente secos (Faé, Favelas, Jatobá, Joaquim Távora e Madeiro). Segundo prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme), a quadra chuvosa no Estado segue até o mês de maio. “Após esse período, o Comitê de Bacias Hidrográficas irá se reunir com autoridades para definir as prioridades e como vai ficar a distribuição dos recursos hídricos para pequenos e médios produtores”, adianta Rebouças.

Chuvas bem distribuídas
Raul Fritz, meteorologista da Funceme, aponta a existência de expectativa de chuvas previstas para o final da quadra chuvosa. “A tendência é de que nas próximas duas semanas tenhamos eventos de chuvas nas grandes bacias que abastecem o Castanhão, o Orós e o Banabuiú, mas não se espera uma grande anomalia positiva de chuvas, ou seja, acumulados de chuva acima da média para esse período de duas semanas.”

Fritz explica que, para os índices desses açudes aumentarem a capacidade, é preciso de precipitações em pontos específicos. “Para abastecer o Banabuiú, é necessário que chova na Bacia do Banabuiú. Para que se abasteça o Castanhão, é preciso que chova na bacia do Alto Jaguaribe, nos Inhamuns e na bacia do Rio Salgado. Para o Orós, é necessário que chova na bacia do Alto Jaguaribe.”

Há também uma tendência para o fim da quadra chuvosa, prevista no prognóstico da Funceme, de que algumas chuvas venham a acontecer na região sul do Ceará, e mais uma vez, dentro da média já estabelecida, sem chances de grandes índices, mantendo uma média de 35% de chances de chuva.

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