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Covid-19: a vitória e a volta à batalha da vida

Por Paulo Pinho

Um ano inesquecível para mim, minha família e milhares de famílias no mundo. Estava no início da pandemia de covid-19 no Brasil e decidimos cumprir as medidas de isolamento social e nos proteger em casa na quarentena. A falta de informações e o medo por eu estar em um “grupo de risco”, pois tenho asma, me fizeram ser ainda mais cuidadoso. Mas, sem avisar, de forma traiçoeira, a covid- 19 entrou em meu lar, contaminando um dos meus dois filhos, eu e minha esposa. Meu cunhado também foi contaminado e foi para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas já está bem e curado.

Foram dias de aflição e angústia. No terceiro dia de sintomas, decidi ir ao médico e lá fui diagnosticado com uma pneumonia leve e enviado de volta para casa, sem remédios e sem orientações.  As dores foram piorando e decidi procurar outro hospital, onde fiz exames e foi constatado que 50% do meu pulmão já estava comprometido.

Fui encaminhado para um leito e confesso não recordar de muitas coisas nessa primeira semana, já que estava medicado e muito debilitado. Na segunda semana, comecei a melhorar e estava feliz e ansioso por minha alta hospitalar, mas logo tive uma recaída e precisei ficar mais uns dias. Ao todo, foram 15 dias de internação, mas nunca perdi a esperança de voltar bem para casa e rever minha família. Cheguei em casa ainda debilitado e depois de alguns dias precisei ser internado novamente. Mesmo assim não me abati, meu otimismo e minha fé eram maiores. Passei mais cinco dias e agora definitivamente fui liberado para me cuidar em casa.

Sou grato por ter sobrevivido a essa guerra e, em meio a uma realidade tão cruel de óbitos no mundo, estou entre os mais de 80 mil curados de covid-19 no Ceará e 715 mil no Brasil. Sabemos que essa pandemia não chegou ao fim e que precisamos continuar tomando todos os cuidados necessários para evitar o contágio. Apesar de muitos descumprirem as regras e continuarem nas ruas, muito me alegra o fato de que as pesquisas para a produção de uma vacina eficaz estão bem avançadas e de que brasileiros já começaram a ser testados com uma vacina fabricada na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

O que tenho a dizer é: não desanime, pois em meio às tribulações nos fortalecemos. Precisamos pensar positivo e continuar fazendo o melhor para contribuir com o fim dessa pandemia. Eu e minha família vencemos a covid-19 e sou grato primeiramente a Deus e, em seguida, a médicos, enfermeiros e fisioterapeutas.

Paulo Pinho é administrador e ex-Ouvidor Geral do Município de Fortaleza

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