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Crianças sobralenses diagnosticadas com covid-19 devem receber alta hoje

Descoberta do novo coronavírus ocorreu há 15 dias, após quase duas semanas do início da infecção. Mãe relata ao O Otimista como foi o período de reclusão e diz que a família está enfrentando resistência no retorno ao convívio social

Kelly Hekally
kellyhekally@ootimista.com.br

Em tempos de pandemia, provavelmente, a notícia mais bela que se pode receber é a de que um amigo ou familiar estão de alta da covid-19. Em Sobral, a notícia está prevista para chegar hoje a um pai e uma mãe que passaram o mês de março na esperança de ver o casal de filhos curado dos efeitos do novo coronavírus. A pedido da mãe, nenhum dos quatro será identificado. Os membros estão sendo monitorados pela Secretaria de Saúde (Sesa) do Estado e Secretaria de Saúde de Sobral há aproximadamente 15 dias.

A suspeita da doença veio no último dia 4, quando a filha de 9 anos apresentou sintomas de gripe, que foram evoluindo para febre, moleza no corpo e dor de garganta. “Ela não queria comer, mas eu achava que era uma dor de garganta comum. Como estávamos em viagem, pensei que seria uma mudança de clima.” Dois dias depois foi a vez de o filho ter tosses somadas a dores de garganta e cabeça. Os sintomas da menina de 9 anos foram aliviados, mas depois voltaram.

Após alguns dias, a mãe ligou para o pediatra, que respondeu que a covid-19 estava espalhando-se por todo o mundo e que todos os pacientes que se encaixavam nos sinais que a doença apontava eram suspeitos. No voo que trazia a família de volta para casa, dia 14 de março, os passageiros usavam máscara, descreve a cearense. Ao chegar em Sobral, a família optou por realizar os exames em casa. “Quando o resultado saiu, em 23 de março, eles já estavam sem sintomas, estavam bem.”

A mãe diz que, durante o período de total restrição em casa, os filhos seguiram uma rotina normal de alimentação, atividades escolares pela internet e brincadeiras. “O médico nos explicou que o risco maior era o de que crianças pudessem, ainda que sem sintomas, ser vetor da doença para outras pessoas.”

Reinserção no convívio
A família, conta a mãe, está enfrentando resistência no retorno à convivência social. “Ficamos em isolamento total em casa até o último domingo (29), quando se completaram 15 dias da data da realização do teste do novo coronavírus neles e 25 dos primeiros sintomas na minha filha. Percebemos olhares esquisitos ao sairmos na calçada. Meus filhos, que notaram até mesmo antes de mim, disseram que tudo bem, que eles já estavam curados e que não havia razão para preocupação. Que eles não iriam infectar ninguém.”

Em grupos de WhatsApp da escola, afirma a mãe, pais chegaram a questionar se os dois haviam realmente cumprido afastamento do colégio. “Quando voltamos, as aulas estavam em curso, mas eles ficaram em casa, em isolamento, inclusive da família. As pessoas acham que a doença fica. Elas deveriam lembrar que tem cura. No meu trabalho, também há resistência. Mas estou bem melhor. A pior parte de tudo tem sido enfrentar o que estamos passando depois de o novo coronavírus ter ido embora.”

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