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Em debate com economistas, Ciro defende taxar grandes fortunas no País

O ex-ministro Ciro Gomes voltou a defender a taxação de grandes fortunas no Brasil como um dos pilares no enfrentamento às desigualdades econômicas. “O Brasil não cobra tributação sobre os patrimônios. Prefere cobrar de forma regressiva sobre a tributação indireta do consumo, pesando muito fortemente nos pobres e na classe média”, afirmou o ex-ministro, que foi um dos debatedores do Brasil Forum UK 2020, que discutiu os rumos da economia brasileira e mundial. O evento contou ainda com a participação dos economista Alfredo Saad-Filho, Mônica Bolle e Zeina Latif.

Gomes lembrou que, com a cobrança de tributo sobre os grandes patrimônios, o Brasil poderia arrecadar R$ 90 bilhões. “Isso num país que nos últimos cinco anos trouxe 24 novos bilionários à lista da Forbes. Hoje temos 42 bilionários no Brasil, que praticamente não pagam nada”, alega.

Europa e EUA

Ciro explica que o imposto sobre grandes heranças na Europa varia de 35% a 60%. Nos Estados Unidos, a menor alíquota é 29%, e no Brasil é 4%, aponta. “O Ceará cobra 8% e nunca perdemos aqui nenhuma eleição por isso, porque aqui os muito ricos equivalem a zero alguma coisa por cento”, disse.

Sobre o contexto atual, o economista Alfredo Saad explicou que o impacto da pandemia no Brasil tem raízes profundas. “O governo brasileiro abdicou de cuidar da vida e das pessoas”, declarou.

A economista Mônica Bolle, que participou do debate em Washington, afirmou que a política econômica do ministro da Economia, Paulo Guedes, é totalmente equivocada. “O princípio norteador dele é o do Estado mínimo. Essa agenda é dos anos 60. Os economistas hoje já nem falam mais sobre essa questão”, criticou. “O Brasil tem uma Constituição cujos marcos são proteção social, saúde e educação, além de vários marcos relativos ao bem-estar social. O Estado mínimo não cabe na Constituição”, completa.

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