Economia

Indústria cearense demanda crédito ao Governo Federal

Segundo Ricardo Cavalcante, presidente da Fiec, crédito liberado pelo Governo não chega às empresas. Ele participou de live do O Otimista, ao lado de Patriolino Dias, presidente do Sindusco

Rebecca Fontes
rebeccafontes@ootimista.com.br


A retomada da atividade econômica no Ceará era esperada desde o início da pandemia de covid-19, afirma o presidente da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante que, ontem, participou do webinário promovido por O Otimista, juntamente com o empresário da construção civil Patriolino Dias de Sousa, presidente do Sindicato da Construção Civil do Ceará (Sinduscon).
Cavalcante lembra que 13.500 empregos já foram perdidos na indústria cearense por conta da pandemia, mesmo 26 dos 40 sindicatos filiados à federação não tenham tido suas atividades suspensas e que atualmente o maior gargalo está na falta de crédito para as empresas poderem superar a crise.
“Não existe empresa que aguente 90, 100 dias sem trabalhar”, diz o presidente da Fiec, ressaltando que só foi possível a população permanecer em casa porque havia indústrias produzindo bens, no período, e o comércio (supermercados e farmácias) funcionando.
Segundo ele, “nosso maior problema hoje, no curto prazo, é crédito. O Governo Federal só tem duas soluções: ou emite moeda ou emite dívida, mas ele precisa ajudar as empresas (indústria, comércio, serviços e agricultura) com velocidade. O Governo soltou alguns planos, mas eles não estão chegando na ponta. O empresário vai na agência (seja banco federal ou privado) e não tem o recurso”.

Medidas severas
Ricardo Cavalcante acredita que, por conta das medidas severas, o Ceará pôde retomar mais cedo sua atividade econômica, lembrando que em alguns estados o governo perdeu o controle da pandemia da noite para o dia.
Mesmo assim, o momento, segundo ele, continua difícil para alguns setores, principalmente porque a maioria das empresas é micro e pequenos negócios, que, segundo ele, se ressentiram muito com o longo período de inatividade. O retorno, no entanto, não será fácil, admite.
O Governo, segundo Cavalcante, informou que o empresário iria receber da Receita Federal uma autorização para pegar no mercado 30% do que ele faturou em 2019. “Isso seria espetacular”. Mas Cavalcante explica que, no Brasil, o governo está mandando os empresários aos bancos.

Sinduscon-CE estima até R$ 1,2 bi em VGV nesse ano

O presidente do Sinduscon-Ce, Patriolino Dias, estima que este ano o Valor Geral de Vendas (VGV) fique em torno de R$ 1,2 bilhão de lançamentos. “As pessoas, por conta da taxa Selic ter baixado para 4% a 4,5%, haviam começado novamente a investir em imóveis. Entramos em 2020, janeiro e fevereiro, bem melhor do que tínhamos iniciado 2019. Os números que tínhamos, no final de fevereiro, era algo em torno de R$ 2 bilhões de VGV. Estamos refazendo as contas e acho que esse número vá girar em torno de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão de lançamentos este ano, até porque muitas construtoras postergaram os lançamentos que iam acontecer no primeiro semestre”, diz.

Estoque
Patriolino diz que, na construção civil, parte do problema das empresas é caixa, até porque ainda tem algum estoque. A taxa Selic como está é muito favorável para o construtor e incorporador, diz Sousa.
Para o mutuário também, pois as parcelas caem e as pessoas podem ser atraídas para adquirir imóvel com uma taxa de juros barata, mas ele lembra que elas assumem um compromisso pra 25 ou 30 anos. “Para nós, o principal é que a economia continue estável”. (RF)

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS