Jornal Impresso

Mourão diz que é uníssono e Mandetta relativiza isolamento

Um dia depois de o presidente se manifestar contrário ao isolamento horizontal, ministro da saúde relativiza a estratégia e Mourão diz que ela é uníssona no Governo

Kelly Hekally
kellyhekally@ootimista.com.br

Falta de alinhamento ocorre um dia após o criticado pronunciamento de Bolsonaro (Foto Antônio Cruz / Agência Brasil)

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta relativizou em coletiva no final da tarde ontem (25) a medida de isolamento social horizontal, adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde o início do surto do novo coronavírus (Covid- 19). Mais cedo, em videoconferência sobre ações do Conselho Nacional da Amazônia Legal, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou que o posicionamento uníssono do Governo Federal é pela continuação do isolamento horizontal e distanciamento social.

“As questões econômicas são importantíssimas e fazem parte da fala do presidente. Se não tivermos preocupação, essa onda vai ter uma onda maior com crise econômica”, disse Mandetta. Mais cedo, Mourão dissera que o isolamento é a única posição do Governo. “A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: o isolamento e o distanciamento social”, endossou. As afirmações acontecem um dia depois de o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reduzir novamente, em pronunciamento oficial em cadeia nacional, a covid-19 a uma “gripezinha” ou “resfriadinho”.

O isolamento social que vem sendo adotado no Brasil nas últimas semanas foi replicado pela pasta federal por ser, conforme Mandetta dissera antes, a maneira mais eficaz de conter a propagação da doença no País. A medida, utilizada em larga escala no mundo, foi adotada por governadores e prefeitos brasileiros como estratégia para conter contaminação em massa, óbitos e casos graves da covid-19 em nível local.

Entidades de saúde
Em nota divulgada no início da noite de ontem, o Conselho Federal de Medicina (CFM) manifesta apoio à restrição ao contato social como um dos meios de prevenir e combater a pandemia do novo coronavírus, definindo a pandemia como a maior crise da saúde na história do Brasil.

Segundo a instituição, o País está no quadro infeccioso inicial, prevendo-se que os indicadores epidemiológicos registrem uma piora nas próximas semanas, uma vez que os gráficos de projeção da doença apontam curvas ascendentes.

Apesar de Bolsonaro ter sugerido em seu discurso que governadores e prefeitos estão super dimensionando a crise e defender a volta das atividades no comércio e nas escolas, todos os governadores do País decidiram manter a estratégia de isolamento horizontal. A decisão conjunta encontra base nos protocolos de saúde da OMS. Nas capitais, apenas Crivella (PRB), do Rio de Janeiro, desistiu da medida.

Deixe uma resposta

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS