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Por que o investidor cearense deverá investir em nossas startups?

Por Machidovel Trigueiro Filho

Normalmente, o principal motivo para alguém investir seu dinheiro em algo é simples: retornos financeiros. Nesses tempos de baixa taxa Selic, vê-se claramente uma migração dos investimentos em renda fixa para a variável. Pois saibam que investir em uma boa startup local pode ser um excelente negócio. Mas não é somente isso, quando você investe nesse tipo de empresa, você ajuda a economia local. Contudo, as formas e os modelos de investimentos em startups ainda são tímidos ou quase inexistente em nosso estado. Trata-se de um modelo de investimento relativamente novo e, como tal, muitos investidores estão se perguntando sobre como fazê-lo e quais os benefícios disso.

Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no ano de 2016, mais de R$ 7,7 milhões foram captados para as startups nas plataformas de “crowdfunding”, saltando esse número em 2019 para aproximadamente R$ 80 milhões, quase dez vezes mais em apenas três anos, mas ainda muito tímido para o nosso imenso país. O ano de 2020 foi prejudicado pela pandemia. Contudo, há expectativa que, a partir de 2021 e antes mesmo de 2024, ocorra um enorme salto nesse modelo de investimento, com potencial mínimo estimado de 1 bilhão/ano, após um necessário aprimoramento no modelo jurídico de captação de investimento.

De fato, toda essa ambiência ainda requer normatização eficaz para que ocorra uma maior fluidez na captação de recursos com a segurança jurídica que o investidor exige. Investidor não aporta dinheiro em startups iniciais ou boas ideias sem alguma segurança jurídica e alguma perspectiva de retorno da “aposta” (MVP testado). Há diversas formas de garantir isso, baseadas em modernos contratos de captação com origem no direito americano. Para o Ceará, o desenvolvimento disso será um grande passo para todos os envolvidos, permitindo ao investidor cearense acesso a um mercado novo e promissor, mas que para ele ainda é desconhecido. Antes, o investimento em startups estava restrito a fundos de “venture capital” com grandes gestores de recursos, investidores profissionais, clubes de investimentos, investimentos anjos etc. A nova ordem aqui proposta quebra parcialmente o modelo onde o dinheiro do investidor só circula na bolsa (mercado de capitais) e num restrito mercado privado de negociações mais fechadas.

Outra grande vantagem disso é a convivência com pessoas inovadoras que movimentam um ecossistema muito rico em conhecimento e na vanguarda da gestão, das técnicas de vendas e, principalmente, da tecnologia. Por fim, sugiro que, além da oportuna e inteligente campanha do setor produtivo que lançou campanha para valorizar e comprar os produtos “made in Ceará” nessa retomada da economia, por que também não considerar a possibilidade de igualmente investirem em nossas startups nos novos condomínios de inovação que aqui estão surgindo?

Machidovel Trigueiro Filho é professor da UFC e atualmente professor da FIU/USA com pesquisas no Vale do Silício, em Stanford/USA, e pós-doutor em Direito na USP/SP

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