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As lições do isolamento e o silêncio dos bancos

Alexandre Pereira

Desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificou o coronavírus como pandemia, nossas prioridades mudaram radicalmente. Impactados e assustados, estamos tentando reinventar nossos dias, aprender a viver longe do contato com a família e amigos, revendo relações de trabalho.

O isolamento social trouxe grandes lições, acima de tudo sobre empatia e solidariedade. Com a ausência de vacina ou de medicamentos para conter a velocidade de propagação da Covid-19, vemos pessoas, cada vez mais conectadas, compartilhando suas rotinas e dicas de como passar por esse período difícil, numa comovente avalanche de cordialidade virtual.

Essa sensação de impotência nos fez rever valores, pensar em tolerância e em afeto. É o que chamamos de empatia, quando conseguimos nos colocar no lugar do outro e não ficar vivendo nosso isolamento particular.

Não dá pra ficar em paz em nossas quarentenas, sem pensar em tantos pais e mães desempregados e nos que ainda perderão seus empregos em plena pandemia. Empresários e governos criam movimentos e iniciativas — tanto para arrecadar recursos para a compra de respiradores e equipamentos de proteção no combate à Covid-19 quanto para ajudar trabalhadores autônomos e pessoas em situação de rua. 

Enquanto países anunciam medidas para amenizar a vida dos trabalhadores que devem ficar em casa em tempos caóticos, em nosso país o presidente publica uma Medida Provisória que autoriza a suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses sem salário.

Embora o trecho tenha sido revogado, depois da repercussão negativa de políticos e da população nas redes sociais, o fato demonstra o olhar do Governo Federal para o problema.

E os bancos? Continuam calados. É como se nada estivesse acontecendo, como se vivessem em outro planeta. A crise da economia no mundo se espalha na velocidade do coronavírus. Sendo otimista, a projeção para 2020 no Brasil é de crescimento próximo de zero.

Já questionei a urgência de um posicionamento do sistema financeiro e seus lucros astronômicos contra a pandemia e seus danos. E não falo da redução de juros ou da ampliação de prazos de pagamento.

Me pergunto o quanto poderia ser feito se uma pequena fatia dos lucros das quatro maiores instituições financeiras, que ultrapassou os R$ 81 bilhões em 2019, fosse destinada para colaborar nessa causa. Salvando vidas, ajudando empresas e garantindo empregos. Já passou da hora de o “Brasil dos banqueiros” mostrar a cara.

Alexandre Pereira é empresário e presidente do Cidadania no Ceará

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