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Passos do Bem: esperança a tantos indefesos

Dora Andrade
Coreógrafa e idealizadora da Edisca

Há quase 30 anos, através da Escola de Desenvolvimento e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca), busco contribuir para a efetivação da justiça social, pois o que assistimos é simplesmente inaceitável. Milhares de meninos e meninas já passaram pela nossa instituição que desde 1991 vem promovendo o desenvolvimento humano de crianças e jovens em vulnerabilidade social, através de uma educação interdimensional com centralidade na Arte, visando formar cidadãos sensíveis, criativos e éticos. A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade despreza, descarta e joga fora, é a escolha prioritária a ser feita, porque precisamos dar uma esperança concreta aos tantos indefesos, ainda mais nesta grave crise do novo coronavírus.

No primeiro momento de confrontação com essa dura realidade de pandemia global, para além da perplexidade, me senti paralisada e até adoentada, sem conseguir dormir pensando na condição das famílias que atendemos na Edisca, cerca de 400 meninos e meninas atualmente. Por dever, missão e busca de justiça social, 64% deles encontram-se abaixo da linha de pobreza. São famílias que não acessam sequer três refeições ao dia. E diante do recrudescimento da pandemia, o trabalho sumiu, a fome bateu à porta, os membros das famílias estão adoecendo aos montes e, sabemos, o pior ainda está por vir.

Na primeira hora, distribuímos todo alimento que tínhamos na escola, conseguimos algumas cestas básicas, kits de higiene, máscaras, porém, esse esforço foi insuficiente, uma gota de água em um oceano de tragédia. Sem saber direito por onde iniciar, fui refletir sobre as palavras do Papa Francisco, de quem sou fã incondicional. Essas palavras me robusteceram pela força e verdade que possuem, pela necessidade que tenho de gerar empatia e adesão a essa luta.

Convidei amigos especiais e entramos com a campanha Passos do Bem. Nossa meta é acudir um número maior de desvalidos, buscando garantir segurança alimentar e itens de higiene para pelo menos 1.000 pessoas por três meses. Nossa campanha terá em seu primeiro movimento uma ação dita assistencialista pela óbvia necessidade do agora, mas não consistirá apenas nisso. Nesse momento de grande tensão, angústia e aperreio contamos com o apoio de todos doando recursos para a compra de alimentos, cestas básicas ou kits de higiene e limpeza, convidando amigos e familiares a somar nesta mobilização e também divulgando a campanha.

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