Panorama

A importância do diagnóstico precoce do câncer

Ceará pode somar 360 novos casos a cada ano entre 2020 e 2022. Mães de crianças com a doença falam como o diagnóstico tardio impactou na luta pela cura dos filhos. Médica reforça a importância da capacitação profissional para a descoberta rápida

Karla Camila
panorama@ootimista.com.br

Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil ocorre amanhã, 15. Alberto, de 11 anos, luta pela cura (Foto: Edimar Soares)

A dificuldade de diagnosticar de forma precoce o câncer infantojuvenil e identificar se os sinais e sintomas apresentados pelas crianças e adolescentes são de doenças comuns da infância ou de um possível câncer é a principal barreira enfrentada por pais e médicos no Ceará. Atualmente, 2.500 crianças com a doença são assistidas pela Associação Peter Pan. Segundo o Instituto Nacional do Câncer José de Alencar Gomes da Silva (Inca), estima-se que no Estado 360 novos casos de câncer infantojuvenil de crianças e adolescentes de 0 a 19 anos sejam diagnosticados a cada ano do triênio 2020-2022. No Brasil, a estimativa é de 8.640.

As histórias de crianças e adolescentes com câncer assemelham-se quando o assunto é diagnóstico. A luta dos pais para entender o que de fato os filhos estão passando é quase que uma peregrinação. A situação piora quando a família reside no Interior. É o que conta a merendeira Francisca Carmita da Silva, de Ipu, a aproximadamente 300 km de Fortaleza, mãe de Alberto Gomes Filho, 11 anos, portador de tumor Ewing (câncer nos ossos). Ela passou mais de seis meses para conseguir o diagnóstico do filho e só teve o resultado em mãos quando decidiu ir em busca de respostas no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), na Capital.

Após a descoberta, Alberto foi encaminhado para o tratamento no Hospital Peter Pan. “O médico sempre falava que era a dor do crescimento e o Alberto não melhorava nunca. Depois de muito eu insistir, foi feito o raio-x e o tumor identificado. Na minha cabeça, eu tinha que correr e pedir ajuda aqui em Fortaleza, pois todo esse tempo foi tempo foi perdido.” Alberto passou por cirurgia e atualmente está sendo submetido a sessões de quimioterapia. “Tenho fé que meu filho vai ser curado.”

Situação semelhante viveu Pedro Levi Gomes, 10 anos, filho da guarda municipal Maria do Socorro Gomes, de Canindé. Após quase um ano e depois de muitos diagnósticos errados, eles chegaram ao resultado de câncer, também no Hias. No caso de Levi, o tumor osteosarcoma, localizado na perna direita, já estava em estágio avançado e foi necessária a amputação da perna. A doença passou para os pulmões. “Se tivéssemos descoberto antes, não estaria nesse estágio”, ressalta Maria do Socorro.

Descoberta pode salvar
“O câncer infantojuvenil existe e é uma grande realidade na nossa população. É muito importante que a família e os profissionais de saúde se mantenham atentos a crianças e adolescentes. Quanto mais cedo esses pacientes recebem o tratamento adequado, maiores são as chances de cura, podendo chegar até 80% nos países de Primeiro Mundo e 70% aqui, no Brasil”, explica a oncologista e hematologista pediátrica Sandra Emília Almeida Prazeres.

Além disso, a também gerente da Técnica Médica do Peter Pan argumenta que o diagnóstico precoce melhora a qualidade de vida desses pacientes e que, em um futuro próximo, as sequelas podem ser menores. Sandra Emília ressalta que o Centro Pediátrico do Câncer, ou Hospital Peter Pan, é o único serviço que trata crianças e adolescentes com câncer no Estado e em virtude disso há uma grande demanda.

“O câncer mais frequente em crianças e adolescentes é a leucemia. Muitas vezes, eles chegam ao nosso serviço de forma tardia. Desta forma, o paciente tem prejuízo no que diz respeito ao critério de cura e as sequelas também”, conclui a médica.

Médicos são capacitados para diagnóstico célere
Em virtude da necessidade urgente de realizar um diagnóstico precoce desse tipo de câncer, a Associação Peter Pan tem um programa de Capacitação para o Diagnóstico Precoce do Câncer Infantojuventil. O objetivo do programa é capacitar todos os profissionais de saúde no Estado para que eles consigam reconhecer os sinais e sintomas do câncer e com isso conseguir um diagnóstico precoce. Médica da Associação Peter Pan, Sandra Emília Almeida Prazeres afirma que em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), somente no ano de 2019, a instituição capacitou, entre médicos, dentistas, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de saúde bucal, agentes comunitários de saúde e estudantes de Medicina e Enfermagem, 2.829 profissionais da área.

“Conseguimos atingir mais de 700 mil crianças com cobertura dos sinais e sintomas do câncer na cidade de Fortaleza por meio dessa capacitação”, explica. Por meio dessa capacitação, as orientações, segundo a médica, também estão chegando na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e Interior do Estado. São Gonçalo do Amarante, Pacatuba, Itaitinga e Horizonte já foram contemplados. Conforme a oncologista, as ações devem ser disseminadas nas demais cidades cearenses. “Estamos elaborando um material para que os profissionais tenham onde recorrer em casos de dúvidas e iremos disponibilizar para todos os municípios do Estado. Os profissionais vão ter disponibilidade de fazer uma consulta de forma breve.”

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