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Governo anuncia leitos para o Interior; aglomerações seguem na Capital

Camilo Santana afirmou que planejamento do aumento de cobertura está sendo realizado entre Sesa e prefeituras. Especialistas alertam para possíveis surtos com desobediência a medidas

Aflaudísio Dantas
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Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

Parte da população tem ignorado regras sanitárias (Foto: Edimar Soares)

Está em andamento a ampliação na oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na rede pública de saúde do Ceará. Em live transmitida ontem (30), o governador Camilo Santana afirmou que a Secretaria de Saúde (Sesa) planeja o incremento junto a prefeituras. O foco da ampliação será nas regiões Norte e Cariri.

“Há uma preocupação muito forte com essas duas regiões do Estado. A região Norte, que tem Sobral como maior cidade, já entrou num estágio de estabilização, mas ainda é uma situação preocupante. O Cariri tem aumentado, avançado no número de casos”, disse.

O Hospital Regional do Cariri contava com 89 leitos de UTI para tratar covid-19 e passará a ter mais 49 leitos. Haverá incremento, ainda, em cidades como Brejo Santo, Barbalha e Crato, afirmou o governador. O Cariri como um todo terá, após essa adição, um total de 195 leitos de UTI, sem contar os de enfermaria.

Outras cidades que também devem receber incremento de leitos são Canindé, Tauá, Icapuí, Morada Nova, Russas, Mombaça, Cedro, Itapajé, Campos Salles, Potengi, Icó, Santa Quitéria e Aracati. Camilo destacou que a ampliação na oferta de leitos só foi possível graças a chegada do carregamento com 300 respiradores vindos da China. O avião com os equipamentos pousou em Fortaleza no último final de semana.

Risco de novos surtos
Diversos bairros de Fortaleza têm registrado movimentação de transeuntes fora do recomendado pela Sesa e Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Capital, além do previsto nos direcionamentos delimitados pelos decretos que regem cada início das fases de retomada gradual de atividades econômicas. O fenômeno ocorreu também durante as fases de transição e um. A Capital encontra-se na segunda semana da fase 2.

A ausência de uso da máscara e a proibição de aglomerações são normas que também vêm sendo desobedecidas. Segundo a plataforma In Loco, o Ceará encerrou a última segunda-feira (29) posicionado como o 12º no ranking brasileiro das unidades federativas de respeito à medida. Especialistas, contudo, reiteram a importância da continuidade de obediência cotidiana aos protocolos de segurança contra a covid-19.

Epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lígia Kerr pondera que o descumprimento das medidas sanitárias favorece o aparecimento de uma nova onda de casos confirmados do novo coronavírus.

“As medidas diferentes para determinados municípios, Interior do Estado e Fortaleza também acabam contribuindo com a diminuição de adesão às medidas de enfrentamento contra a covid-19.” Segundo o Governo do Estado, o processo de reabertura pode ser interrompido caso números da doença voltem a ter elevação de maneira excessiva.

Epidemiologista e professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Thereza Magalhães acrescenta ao isolamento social a importância da utilização da máscara. “A máscara continua sendo importante para evitar contato com o vírus”, endossa.

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