Panorama

Inquérito sorológico deve ser aplicado no Interior, defendem epidemiologistas

Alta testagem, segundo especialistas, é a melhor maneira de entender comportamento da covid-19 em municípios com grande número de casos 

Danielber Noronha 

danielber@ootimista.com.br

(Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza)

Frente ao aumento de casos da covid-19 no Interior do Ceará, epidemiologistas ouvidos pelo O Otimista defendem alta testagem como maneira mais eficaz para entender qual estágio da epidemia que adentra os municípios cearenses. Médico e epidemiologista, Marcelo Gurgel sugestiona a criação de um inquérito sorológico para ser aplicado, seguindo moldes semelhantes aos que já foi aplicados em Fortaleza.

“Levando em conta segmentos geográficos, o Estado poderia estratificar municípios de grande, médio e pequeno porte, para se ter uma boa amostragem. Não precisaria fazer uma testagem em massa nos 184 municípios, mas criar uma pesquisa que possa ser usada como base. O ideal é pegar a população em situação de normalidade, ir a domicílio com um teste sorológico único para ter uma melhor representação da situação nestes lugares”, detalha. 

De acordo com o epidemiologista e integrante do Grupo de Trabalho de Enfrentamento à Covid-19 da Universidade Estadual do Ceará (UECE), as diferentes condições do paciente, sintomatologia e tempo de exposição ao vírus podem contribuir para que resultados não sejam uníssonos. Alto percentual de qualidade dos testes adquiridos, segundo o especialista, é fundamental para garantir resultado seguro.

Epidemiologista e professora da UECE, Thereza Magalhães define que a alta testagem deve ser um dos principais cursores para medidas de combate à pandemia. “Os testes são importantes, pois irão dizer se é possível continuar avançando na retomada das atividades ou se é preciso parar e aplicar lockdown, por exemplo”, destaca.

Lockdown

Sobral continua em regime de isolamento mais rígido, o chamado lockdown, até o próximo dia 5 de julho, de acordo com publicação do último sábado (27),  no Diário Oficial do Estado (DOE). Entretanto, prorrogação do decreto flexibilizou atividades industriais da cadeia de construção civil e dos serviços de saúde no município.

Juazeiro do Norte, que entrou aderiu ao regime desde a semana passada, seguirá por pelo menos mais uma semana em isolamento social mais rígido. Com 1.564 casos confirmados, o município totaliza 25% das notificações da região do Cariri. Barbalha, Brejo Santo, Crato, Iguatu e Tianguá também terão que cumprir o lockdown até o dia 5. 

Thereza destaca que as medidas nas respectivas cidades devem seguir caminho semelhante ao da Capital cearense. “É preciso esperar a curva de casos subir, atingir o platô e começar a descer. Quando descer, o ideal é esperar de 10 a 14 dias para acompanhar se há, de fato, uma diminuição dos casos, para só então fazer o processo de retomada daquelas atividades que irão gerar menos aglomerações e são fundamentais”, ressalta. 

Thereza defende que a chegada dos 300 respiradores para o Interior do Estado irá ajudar, mas não deve significar segurança para retomada de atividades econômicas para municípios que terão melhoramento no aporte hospitalar. “É preciso acompanhar a curva epidemiológica para abrir e ter taxa de reprodução viral abaixo de 1”, pondera. Gurgel, por outro lado, acredita que o aumento da capacidade hospitalar irá facilitar implementação das fases de reabertura do comércio, mas ressalva sobre a importância de cumpri protocolos sanitários para evitar contaminação. 

Em consonância, Thereza endossa necessidade de cumprir distanciamento social para conter o vírus nestes municípios onde há grande número de casos. “Cidades como Juazeiro do Norte, por exemplo, tem um bom atendimento terciário, mas assim como outras cidades no mundo, é muito difícil acompanhar a curva de casos da covid-19 que é logarítmica”, pontua.  

 

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