Jornal Impresso

Reduzir espera na saúde é sinônimo de preservar vidas

Com técnicas repassadas via consultoria do Sírio-Libanês, hospitais cearenses conseguiram diminuir filas e aumentar capacidade de prestação de serviços nas emergências. Apesar da pandemia, novos protocolos operacionais começam a ser discutidos nesta segunda

Danielber Noronha
danielber@ootimista.com.br

IJF também participa da iniciativa (Foto: Divulgação)

Primeira unidade de saúde cearense a aderir ao Projeto Lean nas Emergências, o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) segue colhendo frutos dos métodos aplicados na dinâmica de funcionamento emergencial da unidade.

Durante a consultoria, conforme relata Thaís Gomes, enfermeira e gerente do Lean no HGCC, a equipe de preparação do Lean introduziu metodologias próprias da Engenharia de Produção para analisar processos de atendimento no setor emergencial e práticas de trabalho realizadas para dar suporte à vida dos pacientes.

O Lean, vigente desde 2018 e que tem prazo para funcionar até o final deste ano, é uma iniciativa idealizada pelo Ministério da Saúde e implementada pelo Hospital Sírio-Libanês, criada com o intuito de reduzir a superlotação nas urgências e emergências de hospitais públicos e filantrópicos. Segundo Thais, a implementação de novas práticas resultaram na redução de dois dias do tempo médio de permanência dos pacientes no HGCC.

“Com menos tempo demandado, estamos conseguindo atender 300 pacientes a mais do que no organograma de funcionamento anterior”, acrescenta. O tempo de passagem desde que o paciente é admitido até o momento em que ela vai pra casa, de acordo com a gerente, teve uma redução de 47%. “Todas as mudanças contribuíram para a diminuição de 55% no tempo de espera das filas emergenciais.”

HGF e HRC
Além do HGCC, Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e Hospital Regional do Cariri (HRC) integraram o Lean em ciclos anteriores. O HRC conseguiu atingir diminuição de 70% dos extraleitos após a implementação das práticas de otimização propostas pelo projeto. No HGF, houve momentos em que a nova metodologia conseguiu zerar fila de espera por atendimento emergencial.

“Conseguimos reduzir em 63% a taxa de ocupação de leitos nos corredores e demandar menos tempo de ocupação das emergências”, destaca Francisco Lucena, diretor médico do HGF. O tempo de espera por atendimento dos pacientes na ala emergencial caiu de quatro dias para 24 horas. “Nosso tempo de resposta para identificar se o paciente precisa de ambulatório, internação ou pode ser encaminhado para uma unidade de apoio ficou muito mais ágil. Nossa meta é diminuir esse tempo para 12 horas.” O menor tempo de resposta, segundo Lucena, resultou no aumento de 70% dos atendimentos na emergência e 66% no recebimento de pacientes regulados da Central de Leitos para internação.

Olhar para frente
O quarto ciclo do programa, iniciado em janeiro deste ano, contou com a adesão de 40 hospitais, sendo três situados no Ceará: Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes (HM), geridos pelo Governo do Estado; e o Instituto Dr. José Frota (IJF), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Fortaleza.

Patrícia Sampaio, diretora geral do Hias, afirma que, embora o novo ciclo tenha se iniciado próximo à chegada da pandemia no Estado, a unidade realizou avanços na logística de atendimento emergencial. “Já estamos conseguindo uma maior agilidade no fluxo de atendimentos e organização, melhorando a situação da emergência como um todo”, avalia.

As consultorias seguiram remotas. A partir desta segunda-feira (6), serão discutidos protocolos para setores de internação do Hias. “Não adianta melhorar somente a emergência, pois, se as vagas não forem viabilizadas, os atendimentos acabarão ficando represados na entrada. Precisamos fazer uma gestão de leitos”, endossa.

Os dados estatísticos do ciclo atual ainda não foram compilados, entretanto Patrícia afirma que os dados não irão representar fielmente a dinâmica da unidade. “Tivemos que isolar alguns leitos para tratamento de pacientes com suspeita ou confirmados com covid-19, além do fato das crianças ainda não terem voltado para as escolas”, justifica.

De acordo com a diretora, as crianças estão menos expostas a doenças como síndromes virais, em decorrência do isolamento social, resultando na diminuição da procura por atendimentos decorrentes de tais situações.
Procurados pela equipe de reportagem, até o fechamento deste conteúdo, o IJF e o HM não deram retorno sobre a situação do Lean nas respectivas unidades.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe

VEJA OUTRAS NOTÍCIAS