Política

Partidos buscam fusões e alianças já com vistas a 2022

Por Edison Silva
edison@ootimista.com.br

As mudanças na Legislação Eleitoral, ainda para o pleito de 2018, refletiram diretamente no campo eminentemente partidário, posto em nada alterar o posicionamento dos eleitores. A partir daquela eleição, ficou estabelecido no País a tão reclamada Cláusula de Barreira, quando estipulou que os partidos só continuariam tendo alguns dos benefícios que lhes eram conferidos se, ao cabo da eleição, tivessem conseguido eleger um mínimo de deputados federais. Vários não conseguiram, inclusive, alguns tradicionais como PCdoB, PV, a Rede e outros. O PCdoB só elegeu oito federais, nenhum do Ceará.

Para sobreviverem, essas agremiações utilizaram-se do expediente da fusão, guardando cada uma a sua identidade ideológica ou programática, na perspectiva de soerguerem-se nos pleitos futuros, mesmo que as exigências sejam maiores em número de conquista de votos, lembrando, porém, que para suplantar a cláusula de barreira só são válidos os votos das eleições gerais, visto ser o único parâmetro para definir se o partido de fato cumpriu as exigências da lei a votação conquistada pelos seus candidatos à Câmara Federal.

Mas, como se não bastassem essas exigências legais, sobretudo para os partidos menos expressivos eleitoralmente, registre-se, de grande importância para conter a proliferação de siglas, quase sempre com objetivos pessoais ou de pequenos grupos de organizadores, agora a preocupação é a da sobrevivência das agremiações não ligadas aos extremos da direita e da esquerda. Os dirigentes das siglas mais ao Centro, ou conservadoras, estão sentindo falta de espaço e buscam uma união para impedir a polarização dos extremos.

Em sua edição de ontem, segunda-feira (23), a coluna Política do jornal O Estado de S. Paulo, destaca o entendimento em curso entre lideranças do PSD e do DEM, como Gilberto Kassab e Rodrigo Maia, sobre a fusão das duas siglas. Uma das notas da coluna em referência diz: “No horizonte eleitoral brasileiro, o ex-ministro Kassab, hábil articulador político, enxerga a necessidade da formação de um partido de centro que tenha a magnitude do MDB em seus bons tempos”. Segundo ainda o periódico paulistano, “se sair do plano das intenções, a fusão ocorrerá após a eleição de 2020”.

Não falando em fusão, mas de aliança para a disputa presidencial de 2022, o presidente nacional do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador, já conversou com Carlos Lupi, presidente nacional do PDT, começando a aprofundarem os entendimentos com coligações para eleições de prefeitos em importantes municípios brasileiros, notadamente em Salvador, administrada pelo comandante do DEM, e em Fortaleza, administrada por Roberto Cláudio, um dos políticos mais próximos dos irmãos Ciro e Cid Gomes, lideranças expoentes do PDT.

Essas duas capitais, como aqui já nos reportamos, Salvador e Fortaleza, são de importância maior para DEM e PDT. Na primeira, por Antonio Carlos ter aspirações de chegar ao Governo do Estado da Bahia, em 2022, e em Fortaleza, pelo fato de a vitória de um candidato do prefeito Roberto Cláudio, facilitar a sucessão do governador Camilo Santana, além do simbolismo que ela representará para a nova disputa presidencial de Ciro Gomes.

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