Política

Vídeo de reunião de Bolsonaro mostra xingamentos contra prefeitos, ameaça de prisão contra STF e governadores

Presidente xinga prefeitos, governadores de São Paulo e Rio de Janeiro. Ministro da educação diz ter aversão ao termo “povos indígenas e chama membros do STF de  vagabundos

(Foto: FolhaPress)

Aflaudísio Dantas
aflaudisio@ootimista.com.br

O vídeo de reunião ministerial que segundo o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro comprova que Bolsonaro tentou interferir politicamente no comando da Polícia Federal mostra o presidente Jair Bolsonaro xingando prefeitos que decretaram isolamento social em suas cidades.

“Um bosta de um prefeito faz a bosta de um decreto, algema e deixa todo mundo em casa. Por isso quero que o Moro assine essa portaria hoje que quero dar um puta de um recado pra esses bosta”, xinga Bolsonaro.

Ele ainda chama o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP) de “bosta” e o governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC-RJ) de “estrume”.

Noutro trecho do vídeo, Bolsonaro se mostra indignado com a impossibilidade de mexer no esquema de segurança da sua família. Querem me atingir mexendo na minha família. Já tentei trocar alguém na segurança da minha família e não consegui.  Isso acabou. Se eu não puder trocar alguém da segurança, troca o chefe dele, se não puder trocar o chefe troca o ministro, eu não vou esperar foder minha família”, grita o presidente.

Bolsonaro diz ainda que quer que o ex-ministro Sergio Moro assine portaria flexibilizando o porte de armas, pois segundo ele, o povo armado impediria uma ditadura no Brasil. “Se eu quisesse ser ditador, eu ia desarmar o povo, como os outros fizeram. Eu quero todo mundo armado, porque o povo armado jamais será escravizado”.

O presidente ainda se exaltou ao dizer que quem pensa diferente dele não tem lugar em seu governo. “Quem não aceita minhas maneiras, meu modo de governar, tá no governo errado! Espera pra 2022, espera pelo Alckmin, pelo Haddad, ou talvez o Lula e vai ser feliz”, grita.

Bolsonaro censura os subordinados por achar que eles não estão defendendo publicamente as posições do governo sobre isolamento social e que todos devem se preocupar com a política. “O governo é um só, se eu cair, cai todo mundo. Mas se for para cair, vamos cair lutando”.

Ministro da educação exaltado

O ministro da educação, Abraham Weitraub, usou palavras tão duras quanto o presidente. Ele chamou os congressistas e o judiciário de vagabundos e que, se dependesse dele, todos estariam presos. “Eu quero acabar com essa porcaria que é Brasília.  Isso aqui é um cancro! Brasilia é muito pior do que eu imaginava. As pessoas perdem a noção do que é o povo, se sentem inexpugnáveis, a gente tá perdendo a luta pela liberdade. Por mim eu botava esses vagabundos todos na cadeia começando pelo STF”, dispara.

Weintraub diz ainda que tem aversão ao termo “povos indígenas”. “Odeio o termo povos indígenas! Só tem um povo nesse país. Pode ser preto, pode ser branco, pode ser japonês, só tem o povo brasileiro, se não quiser passa reto”, esbraveja.

O titular do MEC se diz insatisfeito por ser o único ministro a se expor publicamente. Segundo ele, o único ministro a sofrer processos na justiça.

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alvez chama de palhaçada a decisão do STF em rediscutir a concessão do direito ao aborto que entrou em pauta recentemente na côrte. Ela também falou que alguns ministérios estavam lotados de feministas, que segundo ela, queriam fazer política em prol do aborto indiscriminado.

A ministra diz ainda que pretende abrir processos e pedir prisão de governadores que impuseram normas duras de isolamento social.

 

 

 

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